terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Polícia de Qualidade?

Edição 1400 - 23.12.2008

Prêmio Qualidade?

No último dia 18, o 17° BPM recebeu o Prêmio Qualidade Rio (PQRio 2008), na categoria bronze, conferido pelo Governo do Estado para “a melhoria da gestão e aprimoramento do serviço público”. Antes de dar os parabéns, gostaria de uma breve reflexão.

O crescimento da violência e a falta de ação como contrapartida do poder público faz-nos pensar: onde está essa excelência na qualidade que merece prêmio? Exemplo: a atuação livremente de menores na região dos bancos - que, inclusive, é objeto de reportagem desta edição - e o verdadeiro jogo de empurra para uma solução desse problema na Portuguesa, o da criança de rua; a verdadeira farra das Kombis e vans, ignorando qualquer regra de trânsito, enquanto a indústria da multa arrecada cada vez mais para os cofres públicos, punindo com rigor, às vezes, pequenos deslizes de outros motoristas, nos leva a refletir: onde está a polícia que mereceu o prêmio de qualidade?

No caso dos menores perturbando na Portuguesa, a Guarda Municipal exime-se da segurança, alegando que “sua função é comunitária”. E recomenda - o que soa como uma piada -, aos estabelecimentos lesados a procurarem a polícia! E as câmeras de segurança? Por que nunca acionam agentes para coibir os pequenos furtos? Por que não evitaram “saidinhas de bancos” desastrosas, como já aconteceram no local? Não seria mais transparente e justo com o dinheiro público patrulhar física e ostensivamente a região? Afinal, está na lei: segurança pública é dever do Estado e direito do cidadão. E, aliás, um direito muito bem pago, através dos impostos que, todos os anos, não esquecem de cobrar rigorosamente, sob pena de altas multas para quem atrasa.

Qualidade no atendimento não é só, por exemplo, sofisticação em carimbar protocolos. É estar presente, atuante, pró-ativo, mostrando ao contribuinte qual o fim do imposto que é pago. Qualidade, dizem os gestores, é uma “sucessão de sucessos”, isto é, manter-se reconhecido e bem-sucedido em suas atividades-fim pelo máximo de tempo possível.

Isso é o mínimo que se pode esperar de um órgão público que é pago para atuar e ir para a linha de frente, na defesa da vida da população, fato que, por si só, já mereceria todas as medalhas de reconhecimento e mérito.

joserichard@uol.com.br