quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Moradores sonham um dia tomar banho nas praias da Ilha sem riscos à saúde

           
  Na orla da Freguesia parece que as obras, agora, começaram 
para valer. Moradores reclamam da derrubada de árvores 
centenárias e do excesso de poeira e barro
           
           Quando declarei nesta coluna que o morador da Ilha é um sujeito feliz, comparei com os moradores de outras regiões da cidade. Nenhum outro local do Rio de Janeiro tem o sentimento de bairrismo e participação nas coisas que acontecem nas ruas e no seu bairro como o insulano. É verdade que as autoridades parecem se lixar para o nosso eventual desconforto e sofrimento, mas somos mais unidos que os outros. Até no sofrimento, o que não é nenhuma vantagem, pelo contrário.
             O que ainda não aprendemos é a forma de protestar para ter a reação positiva e rápida das autoridades nas questões que diminuem a qualidade de vida das nossas famílias. Qualquer reunião agendada pelas autoridades para ouvir as reclamações da população tem, é claro, o poder de acalmar os ânimos dos queixosos, quase sempre acaba prosperando uma incrível veneração às autoridades. A babação é tão gritante que o servidor público de alto escalão se sente prestigiadíssimo pelos abraços e se dá o direito de esquecer obras e promessas. Na reunião seguinte, meses após, para a população cobrar novamente os acordos não cumpridos, o enredo é o mesmo. Um exemplo são as obras da Freguesia que acumulam reclamações e fazem explodir o mau humor dos moradores. Quantas reuniões, projetos e promessas já foram feitas nos últimos dez anos? Na verdade, alguma coisa está sendo feita hoje, porém aos trancos e barrancos. Mas a ação é lenta e gera indignação dos moradores que se dizem abandonados, com razão.
             O fato que faz o insulano fazer a diferença é o amor à região. Quem é da Ilha tem orgulho de dizer que é insulano e normalmente conhece bem a região, não apenas a sua rua. O insulano costuma participar dos clubes, desfila na União da Ilha, conhece os vizinhos e sonha, um dia, tomar banho nas praias da Ilha sem riscos para a saúde.
 

joserichard@uol.com.br
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