sábado, 14 de fevereiro de 2015

Ilha, realidade em pesadelos



Lotação esgotada

              Tive um pesadelo terrível. Nele, alunos de escolas públicas ameaçavam professores cuja autoridade também era de modo incompreensível contestada pelos pais dos maus alunos. Muitos dos mestres tinham medo de dar aulas e eram ameaçados. Outros professores jogaram a toalha e fingiam que ensinavam. Com o reinício das aulas a expectativa era de desânimo e a certeza de mais um ano perdido para alunos revoltados e professores desanimados. 
              Nesse sonho ruim, as vans e kombis não respeitavam sinais de trânsito e trafegavam com portas abertas. Algumas com o cobrador viajando em cima do motor da kombi e, nenhum passageiro usava cinto de segurança. O caos nas ruas contava com a omissão das autoridades que fingiam fiscalizar irregularidades e as centenas – ou milhares – de veículos transportavam passageiros em alta velocidade e disputando passageiro no grito.
              No pesadelo, as pracinhas e calçadas da Rua Cambaúba ou da Rua dos Monjolos – como quase todas da Ilha -, eram preferencialmente ocupadas por estacionamento de veículos. Os pedestres indignados caminhavam pelo meio da rua, correndo risco de tropeços e atropelamento. Até uma estátua de um leão foi colocada com a fera olhando para um muro. Coisa de pesadelo, e que só acontece em sonhos muito ruins.
             No tal pesadelo, as perspectivas para 2015 eram assustadoras. O dólar nas alturas das galáxias e a conta de luz ainda mais cara e com promessa de aumentar mais 60% até o meio do ano. No auge do pesadelo, vi o contraste entre a avalanche da corrupção na Petrobras e o racionamento de água em contraponto aos fantásticos lucros dos bancos que festejam recordes a cada trimestre. Meu pesadelo foi pesado.
              Quando acordei assustado, senti muito medo. Imagino como seria difícil viver com essa realidade.     

joserichard@uol.com.br