sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Heterofobia: uma preocupação tão importante quanto a homofobia


O cantor Ricky Martin (39), pôs fim às especulações. Assumiu publicamente que é gay. Disse que não aguentava mais fingir. Recomendou aos filhos que falem aos amigos na escola: “Meu pai é gay e ele é muito legal. Seu pai não é gay. Triste o seu caso”.
O trecho acima foi pinçado das páginas amarelas da revista Veja desta semana. Mostra de forma surpreendente um novo conceito. Os sessenta milhões de discos vendidos no mundo não bastaram para Ricky Martin, que só se realizou de forma plena ao revelar publicamente que é gay. Na mesma matéria, ele diz que quer seus filhos orgulhosos em fazer parte de uma família moderna. E destaca: “Reconheço quando uma mulher é linda. Mas, no fim do dia, a minha vontade é estar com um homem”.
Estou perplexo! Atualmente, alguém assumir que é gay não tem nada de mais. Entre os meus amigos devem existir alguns ou, quem sabe, muitos. Não importa. Não tenho interesse em saber a sexualidade de ninguém.
Constato, já sem surpreender-me, que milhões de pessoas participam das paradas gays no mundo todo, e que é uma turma alegre. Todavia, vai ser difícil prever o que pode acontecer se outros gays decidirem imitar a recomendação que Ricky fez aos filhos. “Hoje sinto que os outros é que são diferentes, não eu”, disse Martin na entrevista à Veja, revelando que tornou-ser preconceituoso com quem não é gay como ele.
Espero que nunca cheguem ao Brasil essas atitudes que tentam impor as crianças e jovens regras que conduzem à heterofobia. Que cada um trate de resolver-se como ser humano e não aproveitar a fama que Deus lhe permitiu ter, para contaminar uma geração de milhões de fãs e utilizando os próprios filhos para justificar seu preconceito.
A entrevista da Veja com o ídolo Ricky Martin é séria e revela um fato novo que precisa ser levado em consideração, sobretudo nas escolas – local onde os jovens conversam mais entre si. O perigo é a TV Globo – especialista em antecipar comportamentos questionáveis do ponto de vista moral – incluir numa próxima novela enredo onde crianças conversam abertamente na escola sobre a vergonha do pai ser hétero.